PÁSCOA =

                       EXPIAÇÃO

                             SUBSTITUIÇÃO

                                        RESSURREIÇÃO

 

Quatro termos complexos, talvez difíceis de aceitar quando a religião no los apresenta como um compromisso de ordem moral. Todavia também podem entender-se como diagnóstico da necessidade humana, com referência à doença universal a que chamamos  “pecado”, ou, se preferem, “o mal”.

A data marcada pelos judeus para a realização da Páscoa, foi o mês de Abib, posteriormente chamado Nisã (Deut.16:1; Êx. 12: 1, seg.). Uma data fixa como instituição de “festa dos pães ázimos”, “pães de aflição”, de “libertação”, etc., alterada várias vezes de modo litúrgico, e até na celebração de Jesus como “Páscoa da despedida” quando afirmou aos discípulos: “nunca mais a comerei, até que se cumpra no reino de Deus”! (Luc.22:16)

Entre cristãos o concílio de Niceia (325 d.C.) fixou o domingo depois da lua cheia que anteceder ou suceder ao dia 21 de Março, e dessa data todas as festas do seu calendário litúrgico sobem e descem na corda das suas celebrações...

Natural, e pessoalmente não afirmo que a Escritura Sagrada é um ditado de Jeová, nem que os dogmas conciliares são infalíveis. Também não limito o conteúdo bíblico à expressão simplória e partitiva, de que “é palavra de Deus”. Para mim é manancial de águas vivas com as quais Deus refresca, e dessedenta o caminhante que nesta vida aspira ir mais além.

Do “Cordeiro pascal” tem havido várias interpretações. Para uns, aparece escrito “como símbolo” do livramento do povo de Israel, mas para outros o evento de Êxodo capítulo 12, encerra a mensagem profética da Antiga Aliança, apontando com séculos de antecipação “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”(João 1:36). São as interpretações humanas que apresentam um “Deus desfocado”, e até inadequado às necessidades de cada ser.

O relato do livro de Êxodo contém “o sinal do sangue” do cordeiro imolado que marcou as ombreiras e as vergas das portas das casas onde foi comido. E a pergunta vem: --“Não podia Deus proceder à libertação do povo, sem a morte dos animais?”—Minimiza-se “expiação”.  Mas a consciência do pecado não é uma acusação religiosa da falência humana, para se obter o perdão de Deus!... É, sim, um rebate, ou, seja o assalto íntimo na criatura que oscila entre o ser e o dever, e Deus sabia, e sabe, a impossibilidade humana para cumprir, ou desempenhar a sua obrigação num mundo hostil. É por isso que muitos preferem “Substituição” (e Cristo foi o Substituto) para que o pecador seja redimido, justificado e regenerado. Ele substitui a maldade humana de cada pecador que O aceita como seu Redentor ao saber que não tem méritos próprios para se resgatar. Está também escrito: “sem derramamento de sangue não há remissão” (Heb 9:22), e Jesus “foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades” (Isa.5:5); “porquanto o que era impossível à lei” dos homens, “a lei do Espírito de vida em Cristo Jesus” nos “livrou da lei do pecado e da morte” (Rom.8:1-4).

Vinte séculos são passados, e a humanidade continua indecisa na resposta        satisfatória de saber se o homem pode sobreviver à universal experiência da morte. Mas afinal, “Cristo, nosso Cordeiro pascal” ressuscitou! “Tragada foi a morte na vitória” (1º Cor.5:7; 15:54). “Assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem” (1ª Tes.4:149). Será uma viajem dos céus à Terra, porque, em muitos sentidos, “Páscoa é passagem”!                                                                                   

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           Convicto disso, eu tenho escrito de minha esperança:

           

                               ...eu, tão pobre, indigno,

            Tive passagem para eterno Bem!

 

             Seguem agora, Cristo com cristão

             Na carruagem do tempo preferido!

          

                                          J.J. Marques da Silva