Tributo aos Obreiros da Comunidade Da beira-mar à beira-Main
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É quase certo que o primeiro português a pisar terras de Montreal foi Pedro da Silva, chegado à Nova Françaem data incerta e que em 1677 casou com uma “fille du roi”, Jeanne
Greslon, deixando numerosa prole,da
qual descendemtodos os daSilva, Sylva e
Dasylva actuais, antes de morrer em 1717 na cidade do Quebeque.
Este bravo Silva é hoje figura histórica pois coube-lhe a
missão de ser o primeiro carteiro oficial do Canada, transportando durante
vários anos as mensagens do governador da Nova França entre Montreal e a cidade
do Quebeque.
Já agora, conhecem a trágica história de amor de Marie-Josèphe Angélique, nascida na ilha da Madeira e enforcada em Montreal em 1734, acusada de deitar fogo à cidade?
Contudo, a emigração portuguesa para o Canadá, e portanto para Montreal, só atingiu números significativos já na segunda metade do séc. XX, mais precisamente a partir de 13 de Maio de 1953, quando o primeiro contingente de 85 imigrantes portugueses (67 de Portugal Continental e 18 dos Açores), que deixara Lisboa a 8 de Maio, chegou ao porto de Halifax, a bordo do navio
Satúrnia e entrou em terras canadianas pelo hoje célebre PIER 21. Logo a seguir, no dia 1 de Junho, um outro contingente de 102 portugueses, desta vez oriundo da ilha da Madeira, chegou a Halifax, a bordo do Nea Hellas.
Em Montreal, a bela cidade francófona da América do Norte, na província do Quebeque, residem cerca de cinquenta mil luso-canadianos.
Os primeiros portugueses estabeleceram-se no Quartier
St-Louis, à beira-Main (Boul. Saint-Laurent), onde, com perseverança e trabalho árduo, mudaram
radicalmente a fisionomia arquitectural do bairro, o que lhes valeu a
atribuição de prestigioso prémio urbanístico (Ordre des Architectes du Québec,1975).
S
endo Montreal a primeira cidade canadiana onde os
portugueses se estabeleceram é, pois, natural quea
maioria das mais antigas instituições e organizações luso-canadianas tenham
sido fundadas nesta cidade.
DATA DA FUNDAÇÃO:
Associação Portuguesa do Canadá, 1956
Jornal Luso-Canadiano,1959
Jornal A Voz de Portugal, 1961
Casa dos Portugueses de Montreal, 1961
Rádio Hora Portuguesa, 1962
Jornal Lusitano, 1964
Movimento Democrático Português, 1964
Missão Portuguesa de Santa Cruz, 1965
Clube Portugal de Montreal, 1965
Grupo Folclórico Português de Montreal, 1966
Caixa de Economia dos Portugueses de Montreal, 1969
Escola Portuguesa de Santa Cruz, 1971
Escola Português do Atlântico, 1972
Filarmónica Portuguesa de Montreal, 1972
Centro Português de Referência e Promoção Social, 1972
Escola Secundária Lusitana, 1975
Casa dos Açores do Quebeque, 1978
Inauguração da Igreja Santa Cruz, 1986
Mesmo seo
Boul. Saint-Laurent e oPlateau Mont-Royal estão em acelerada fase de
transformação, ainda é nessa áreaque
bate o coração da Comunidade Portuguesa, num quadrilátero designado por Bairro Português que engloba o
Parc du Portugal, a Missão Santa Cruz, a Caixa Portuguesa e algumas das mais
prestigiadas associações recreativas e culturais da Comunidade.
Como em quase todas as comunidades da América do Norte, a maioria da Comunidade Portuguesa é de
origem açoriana, o que se reflecteprincipalmente nas manifestações de carácter religioso, com destaque
para os festejos do
Senhor Santo Cristo e do Divino Espírito Santo que já se
incrustaram no imaginário colectivo da Comunidade e,pode-se afirmá-lo, são uma componente
essencial da nossa identidade cultural nestas terras. Também merece destaque a festa em honra da Nossa Senhora do Monte (organizada pelos Madeirenses de Montreal) que atrai grandes multidões no mês de agosto.
A cozinha portuguesa levou certo tempo a afirmar-se mas já alcançou um prestígio
digno de nota. O ramo da restauração,
cada vez mais florescente,é
presentemente um dosmais sólidos
esteios da afirmação cultural e económica
dos portugueses na sociedade de acolhimento.
N
o Parc du Portugal,com um traçado que respeita a arquitectura tradicional portuguesa, onde não foram esquecidas a calçada
e a azulejaria portuguesas, avulta um imprescindível coreto encimado pelo típico galo de Barcelos, tudo sob a protecção de um soberbo padrão de pedra a relembrar os tempos gloriosos das descobertas. É incontestavelmente um lugar emblemático da comunidade, palco privilegiado para as cerimónias de abertura
das mais relevantes comemorações, com evidência para o 10 de
Junho, dia de Portugal, de Camões e das
Comunidades.
À beira-Main, entre outros estabelecimentos comerciais, encontramos aprazíveis padarias e pastelarias
que se mantêm fiéis aos métodos tradicionais do fabrico da doçaria e do pão
portugueses.Vários cafés ainda
guardam o encanto, quase inexplicável, dos vetustos cafés de Portugal onde
ainda se pode jogaruma animada partida de dominó ou disputada
suecada, sempre com um olho no ecrã da televisão onde corre frequentemente mais
um jogo de futebol, motivo para acesas discussões e animada algazarra
A
os domingos de manhã, o carrilhão da Igreja Santa Cruz
repica alegremente chamando os fiéis para a missa e para dois dedos de conversa
no adro. Então quando se celebra mais um casamento ou baptizado, o bulício, a
azáfamae o trajar endomingado pedem
meças ao aparato das cerimónias nas lonquínquas, e tão perto, aldeias portuguesas.
Na Missão Santa Cruz, lugar de diversificadas actividades, está instalado um lar para pessoas idosas e funcionam uma escola de língua portuguesa e a UTL,Universidade dos Tempos Livres
O
s escritosde um razoável punhado de Autores, que ao
longo dos anos, semearam as suas experiências e emoções por Jornais, revistas e
livros, são um precioso manancial de informação que nos relatam, deforma fidedigna e comovente,a vivência quotidianadas nossas gentes no novo mundo.
N
os festejos comemorativos dos 50 anosda chegada oficial dos primeiros portugueses a
Montreal ainda foi possível reunir um punhado dos pioneiros aos quais foi
prestada sentida homenagem em singela cerimónia que decorreu no dia 10 de Junho
de 2003 no Parc du Portugal. Foigraças
ao pioneirismos, à coragem, à abnegação e à perseverança destes homensque a Comunidade Portuguesa de Montreal,
quechegou a estas paragens em demanda
de nova vida e de mais rasgados horizontes, se conseguiu afirmar e fazer
respeitar como uma das grandes obreiras desta cidade.
F
ruto de muito esforço e dedicação, o ensino da língua
portuguesa aos jovens luso-descendentes é ministrado em Montreal, nas já
consagradas “Escolas de Sábado”.
São elas o mais importante bastião de
defesa e preservação da língua portuguesa enquanto instrumento de expressão das nossas emoções mais profundas e de comunicação da
nossa cultura e dos valores que nos definem como grupo com uma identidade própria.
C
om o advento das novas tecnologias e
com o desenvolvimento dos meios de comunicação é possível começar a inventariar
e a fazer o registo dos portugueses e lusodescendentes de Montreal ligados às letras e às artes
que, com o seu labor e criatividade, enobrecem e divulgam a cultura lusófona.
O sucesso escolar e a inserção harmoniosa dos luso-descendentes na sociedade de acolhimento são os grandes desafios que a Comunidade enfrenta.
Também no desporto os luso-descendentes se começam a salientar e a alcançar um prestígio internacional que honra a comunidade portuguesa.
A Históriadeste
fascinante, e tantas vezes atribulado, percurso, está profusamente ilustrada na
vasta Bibliografia que,com maior ou
menor rigor documental, entretanto foi surgindo.
A
sociedade de acolhimento já demonstra certo interesse pela trajectória sociocultural da Comunidade Portuguesa. Aqui iremos reunir alguns LINKS que consideramos de grande interesse divulgar.
N
o festival dos Feux d'Artifice de Montréal, que decorre anualmente em Junho e Julho, Portugal, pela alta qualidade do seu fogo, já ocupa um lugar de prestígio o que é enorme motivo de orgulho para a Comunidade Portuguesa.
Foi recentemente inaugurado o Parc des Açores que vem enriquecer ainda mais o património do nosso Bairro. O motivo arquitetónico de maior realce é uma escultura em basalto que representa as nove ilhas do arquipélago.
A
ssiste-se presentemente a uma mobilização das forças
vivas da Comunidade no sentido de proceder à demarcação geográfica do BAIRRO PORTUGUÊS com o objectivo de dar maior relevo e visibilidade à presença portuguesa em Montreal. Será esta a forma mais condigna de reconhecer e de homenagear a primeira geração de portugueses que, com mãos calejadas, por entre saudades e esperanças, recriaram, pedra a pedra, à beira-Main o seu JARDIM À BEIRA-MAR PLANTADO.