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Contudo, a emigração portuguesa para o Canadá, e portanto para Montreal, só atingiu números significativos já na segunda metade do séc. XX, mais precisamente a partir de 13 de Maio de 1953, quando o primeiro contingente de 85 imigrantes portugueses (67 de Portugal Continental e 18 dos Açores), que deixara Lisboa a 8 de Maio, chegou ao porto de Halifax, a bordo do navio
Satúrnia e entrou em terras canadianas pelo hoje célebre PIER 21. Logo a seguir, no dia 1 de Junho, um outro contingente de 102 portugueses, desta vez oriundo da ilha da Madeira, chegou a Halifax, a bordo do Nea Hellas.

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Em Montreal, a bela cidade francófona da América do Norte, na província do Quebeque, residem cerca de cinquenta mil luso-canadianos.
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Os primeiros portugueses estabeleceram-se no Quartier
St-Louis, à beira-Main (Boul. Saint-Laurent), onde, com perseverança e trabalho árduo, mudaram
radicalmente a fisionomia arquitectural do bairro, o que lhes valeu a
atribuição de prestigioso prémio urbanístico (Ordre des Architectes du Québec,1975).
S
endo Montreal a primeira cidade canadiana onde os
portugueses se estabeleceram é, pois, natural que a
maioria das mais antigas instituições e organizações luso-canadianas tenham
sido fundadas nesta cidade.
DATA DA FUNDAÇÃO:
Associação Portuguesa do Canadá, 1956
Jornal Luso-Canadiano,1958
Jornal A Voz de Portugal, 1961
Casa dos Portugueses de Montreal, 1961
Rádio Hora Portuguesa, 1962
Jornal Lusitano, 1964
Movimento Democrático Português, 1964
Missão Portuguesa de Santa Cruz, 1965
Clube Portugal de Montreal, 1965
Grupo Folclórico Português de Montreal, 1966
Caixa de Economia dos Portugueses de Montreal, 1969
Escola Portuguesa de Santa Cruz, 1971
Escola Português do Atlântico, 1972
Filarmónica Portuguesa de Montreal, 1972
Centro Português de Referência e Promoção Social, 1972
Escola Secundária Lusitana, 1975
Casa dos Açores do Quebeque, 1978
Mesmo se o
Boul. Saint-Laurent e o Plateau Mont-Royal estão em acelerada fase de
transformação, ainda é nessa área que
bate o coração da Comunidade Portuguesa, num quadrilátero designado por Bairro Português que engloba o
Parc du Portugal, a Missão Santa Cruz, a Caixa Portuguesa e algumas das mais
prestigiadas associações recreativas e culturais da Comunidade.
Como em quase todas as comunidades da América do Norte, a maioria da Comunidade Portuguesa é de
origem açoriana, o que se reflecte
principalmente nas manifestações de carácter religioso, com destaque
para os festejos do
Senhor Santo Cristo e do Divino Espírito Santo que já se
incrustaram no imaginário colectivo da Comunidade e, pode-se afirmá-lo, são uma componente
essencial da nossa identidade cultural nestas terras.
A cozinha portuguesa levou certo tempo a afirmar-se mas já alcançou um prestígio
digno de nota. O ramo da restauração,
cada vez mais florescente, é
presentemente um dos mais sólidos
esteios da afirmação cultural e económica
dos portugueses na sociedade de acolhimento.
N
o Parc du Portugal,
com um traçado que respeita a arquitectura tradicional portuguesa, onde não foram esquecidas a calçada
e a azulejaria portuguesas, avulta um imprescindível coreto encimado pelo típico galo de Barcelos, tudo sob a protecção de um soberbo padrão de pedra a relembrar os tempos gloriosos das descobertas. É incontestavelmente um lugar emblemático da comunidade, palco privilegiado para as cerimónias de abertura
das mais relevantes comemorações, com evidência para o 10 de
Junho, dia de Portugal, de Camões e das
Comunidades.
À
beira-Main, entre outros estabelecimentos comerciais, encontramos aprazíveis padarias e pastelarias
que se mantêm fiéis aos métodos tradicionais do fabrico da doçaria e do pão
portugueses.
Vários cafés ainda
guardam o encanto, quase inexplicável, dos vetustos cafés de Portugal onde
ainda se pode jogar uma animada partida de dominó ou disputada
suecada, sempre com um olho no ecrã da televisão onde corre frequentemente mais
um jogo de futebol, motivo para acesas discussões e animada algazarra
A
os domingos de manhã, o carrilhão da Igreja Santa Cruz
repica alegremente chamando os fiéis para a missa e para dois dedos de conversa
no adro. Então quando se celebra mais um casamento ou baptizado, o bulício, a
azáfama e o trajar endomingado pedem
meças ao aparato das cerimónias nas lonquínquas, e tão perto, aldeias portuguesas.
Na Missão Santa Cruz, lugar de diversificadas actividades, está instalado um lar para pessoas idosas e funcionam uma escola de língua portuguesa e a UTL,Universidade dos Tempos Livres
O
s escritos de um razoável punhado de Autores, que ao
longo dos anos, semearam as suas experiências e emoções por Jornais, revistas e
livros, são um precioso manancial de informação que nos relatam, de forma fidedigna e comovente, a vivência quotidiana das nossas gentes no novo mundo.
N
os festejos comemorativos dos 50 anos da chegada oficial dos primeiros portugueses a
Montreal ainda foi possível reunir um punhado dos pioneiros aos quais foi
prestada sentida homenagem em singela cerimónia que decorreu no dia 10 de Junho
de 2003 no Parc du Portugal. Foi graças
ao pioneirismos, à coragem, à abnegação e à perseverança destes homens que a Comunidade Portuguesa de Montreal,
que chegou a estas paragens em demanda
de nova vida e de mais rasgados horizontes, se conseguiu afirmar e fazer
respeitar como uma das grandes obreiras desta cidade.
F
ruto de muito esforço e dedicação, o ensino da língua
portuguesa aos jovens luso-descendentes é ministrado em Montreal, nas já
consagradas “Escolas de Sábado”.
São elas o mais importante bastião de
defesa e preservação da língua portuguesa enquanto instrumento de expressão das nossas emoções mais profundas e de comunicação da
nossa cultura e dos valores que nos definem como grupo com uma identidade própria.
C
onsequência da maior visibilidade da Comunidade e com a
importância crescente do espaço lusófono no mundo, o ensino da língua
portuguesa alcançou, nos últimos anos, maior evidência no ensino universitário,
com realce para a Université de Montréal onde é leccionado um Curso de Língua
Portuguesa e Cultura Lusófonas e, mais recentemente, foi criada uma Catédra de Cultura
Portuguesa.
C
om o advento das novas tecnologias e
com o desenvolvimento dos meios de comunicação é possível começar a inventariar
e a fazer o registo dos portugueses e lusodescendentes de Montreal ligados às letras e às artes
que, com o seu labor e criatividade, enobrecem e divulgam a cultura lusófona.
A gradual implicação dos portugueses na vida política e social da cidade de Montreal começa a dar os seus frutos e a Comunidade já se pode ufanar de ter alguns dos seus membros colocados em posições de certo relevo.
Também no desporto os luso-descendentes se começam a salientar e a alcançar um prestígio internacional que honra a comunidade portuguesa.
O
sucesso escolar e a inserção harmoniosa dos luso-descendentes na sociedade de acolhimento são os grandes desafios que a Comunidade enfrenta na hora actual e que merecem particular atenção e empenhamento das forças mais esclarecidas e atentas às questões identitárias.
S
eria imperdoável não mencionar os ranchos folclóricos, filarmónicas, grupos musicais e associação recreativas e culturais que, com as suas actividades, ao longo do ano, pincelam com cores mais vivas e garridas, o rosto da Comunidade.
A História deste
fascinante, e tantas vezes atribulado, percurso, está profusamente ilustrada na
vasta Bibliografia que, com maior ou
menor rigor documental, entretanto foi surgindo.
A
sociedade de acolhimento já demonstra certo interesse pela trajectória sociocultural da Comunidade Portuguesa. Aqui iremos reunir alguns LINKS que consideramos de grande interesse divulgar.
N
o festival dos Feux d'Artifice de Montréal, que decorre anualmente em Junho e Julho, Portugal, pela alta qualidade do seu fogo, já ocupa um lugar de prestígio o que é enorme motivo de orgulho para a Comunidade Portuguesa.
A
ssiste-se presentemente a uma mobilização das forças
vivas da Comunidade no sentido de proceder à demarcação geográfica do BAIRRO PORTUGUÊS com o objectivo de dar maior relevo e visibilidade à presença portuguesa em Montreal. Será esta a forma mais condigna de reconhecer e de homenagear a primeira geração de portugueses que, com mãos calejadas, por entre saudades e esperanças, recriaram, pedra a pedra, à beira-Main o seu JARDIM À BEIRA-MAR PLANTADO.


EM PERMANENTE CONSTRUÇÃO-Autor:Manuel Carvalho
Nota: As informações para construir esta página foram recolhidas nas obras da Bibliografia

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