POETA JOSÉ ANTÓNIO GONÇALVES
Por
Manuel Carvalho
Morreu o poeta madeirense José António Gonçalves. Aos 50 anos de idade. A triste notícia entrou-nos brutalmente casa adentro, divulgada pela RTP-Madeira.
Com mais de 20 livros publicados, presidente da Associação
de Escritores da Madeira, jornalista, grande dinamizador da vida cultural da
ilha, era um dos nossos maiores poetas contemporâneos.
Homem simples e generoso, sempre pronto a bater-se pela Literatura Madeirense que, sendo insular e talvez marginal, procura afirmar-se pela sua real genuidade e fecundidade, toda a sua obra está repassada de amor à vida e esperança num mundo melhor onde a poesia é a chave de muitos mistérios:
(...)Hoje é o dia de partir em busca
das brisas suaves da primavera,
o momento de encantar as
serpentes, de aplainar os socalcos das
montanhas,
de aprender novos cânticos no
murmurar dos riachos, na voz dos pássaros.
Hoje é o dia do louvor aos hinos, às
hossanas, aos abraços de amigos
vencendo as agruras e os medos das
distâncias, às cartas por escrever,
aos segredos bem guardados, ao
respirar apressado do amor.
É hoje o dia. O
resto dorme escondido nas entrelinhas, nas malhas
da poesia.
Sobre ele escreveu o conhecido crítico
literário Dórdio Guimarães: “José António Gonçalves é um poeta de
ímpetos e de hábitos frugais, um iconoclasta pagânico. É um poeta de intuições e de saberes e que viaja as suas experiências líricas por facetas singularmente múltiplas.
Distribui-se por temas e
abordagens que perfazem um conjunto quase heteronímico. Poesia tantas vezes deambulatória e comovida (…), fibrada, recalcada de amor e de instintos, de súbitos entusiasmos, de instabilidades
sofridas e de quanta generosidade, aquilo a que o grande poeta brasileiro Jorge de Lima
apelidava de poesia gorda,
que auto se nutre, que tudo absorve em si. O poeta está sempre à frente da sua condição
limitada de homem (humana), ultrapassa-o, excede-o”.
Travei conhecimento com
o poeta e com a sua obra quando enviou para o livro de visitas da minha página
Satúrnia uma mensagem de
encorajamento:
“Caros amigos, acabo de descobrir a vossa página na internet e sem demoras apresso-me a louvar o trabalho e o esforço desenvolvido em prol da divulgação da Cultura Portuguesa e dos seus escritores, um pouco distribuídos pelo mundo de Língua lusíada.(...) Gostei muito de rever nesse espaço alguns dos meus amigos (Eduardo Bettencourt Pinto e Onésimo Teotónio de Almeida), tendo ficado deveras feliz com isso. Continuem perseverantemente a cumprir a vossa prestigiada missão! Parabéns! “
Posteriormente, aprofundado o relacionamento, foi naturalmente um dos escritores convidados da Satúrnia onde publicou vários dos seus trabalhos, alguns dos quais inéditos.
José António Gonçalves, com família dispersa pelos Estados Unidos e Canadá, era irmão do artista luso-canadiano Décio Gonçalves, o conhecido autor da canção “A Cabrinha”.
Num dos últimos e-mails que me escreveu, confessava-se
cheio de saudades do
Canadá e da família e amigos...
Para saber mais sobre
José António Gonçalves visite: http://manuelcarvalho.8m.com/goncalves0.html
