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ELLA FITZGERALD: MARFIM BRANCO E NEGRO ![]() Visitas-me
num desses dias de primavera na bruma
do desanuvear as pétalas das flores
em redor e de
repente acontece o amor. Visitas-me
devagar como quem
tem tempo para
adormecer no silêncio de todas as tardes e nesse
enlevo escuto a tua voz e noto
como ardes. Nesses
momentos (é preciso
confessar para a eternidade) esqueço o
hábito da escrita as coisas
comuns e banais da história a tradição
de habitar o vulgar e frágil quotidiano e aí tudo
volta a repetir-se com a
magia dos grandes acontecimentos. Então
reparo como voas junto de
um coro de anjos acompanhada
por uma orquestra celestial sob a
batuta de Duke Ellington e como te
pareces musicalmente com o som
quente e vibrante de um piano quando
levas solitude até ao
espaço sideral. Pensando
nisso decido descansar calmamente no marfim
branco e negro desse
engano. José António Gonçalves (inédito,
Dezembro, 2002) |