O CANTO DO SABIÁ
Ainda
ninguém me contou
como se ama
o canto do
sabiá.
Não descobri
a cor
das suas
penas
nem a paixão
dos seus gorjeios.
Aconchego-o
bem fundo na
alma
com a visão
fugidia do bis-bis
brincando na
tardinha
das ribeiras
madeirenses.
E depois
adormeço
com a magia
do seu
inesperado voo
acalmando o
sono das madrugadas
sem o
reconhecer nas copas
das árvores
do sonho
no movimento
eterno
das suas
asas.
Aí
recolho-me nos versos
e espero
pela aventura
da
sua sombra
a pousar sobre
as casas
até ser dia.
José António
Gonçalves