Neste ano de 2008
pergunto pela paz,
canto obsessivamente a minha terra
aquela onde me sento encantada pelo som
em cores inesperadas guardo-as no meu diário,
diário de desenhos cheio de escritas silenciosas,
e no fundo das minhas algibeiras procuro
os imprevistos das paixões, meço os dias
desvendo feridas dos que mentem
ah, hoje não quero entender de mentiras
faço que não as oiço e invento palavras
como se todos fossemos ternos por um segundo
atropelo as cronologias e entretida esqueço-me
dos corpos, olho os mapas das peles
reflito sobre as cicatrizes como se houvesse
um singular neste cais sempre plural
moro no hemisfério sul sem entrega
nestas marés de dizeres por dizer, nada é,
mordo as palavras, engulo-as triste,
acordo a minha dor, nos sons
da guitarra portuguesa, morada da saudade
neste continente de deserdados e mutilados
onde a noite persegue o infinito,
semeamos estrelas de luz, aqui o sol
soluça nas frentes frias deste maio
Constança Lucas Maio de 2008
Constança M. L. de Almeida Lucas
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