Sentei-me
quase numa das esquinas da imensa mesa branca e retangular, comecei a sondar
uma folha de papel, olhava as janelas abertas que convidavam a um possível vôo,
o calor atordoava. As dobras foram surgindo uma a atrás da outra, a criarem
forças de pulsão do próprio papel, as mãos seguiram os caminhos da construção
de um pequeno objeto que talvez viesse a voar depois da reunião terminar. Mudei
de lugar e posei o meu objeto voador, quando o observava alguém lhe pegou e
minuciosamente retirou-lhe as dobras, anulando-lhe a possibilidade de ser um
aviãozinho de papel. Deu-lhe novas dobras regulares,em sanfona, depois alisou
toda a folha, mas os vincos das asas permaneceram como as rugas de quem quisera
voar. Antes houve quem o desenhasse assim foi guardada a experiência. Por fim
vieram uvas para a mesa e a folha de papel virou piso de um monturo de grainhas.
Constança Lucas – 2008
Constança M. L. de Almeida Lucas
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