Dale Brazão, de Faro, veio garotinho para o norte do
Ontário, junto a uma reserva índia. Nunca viveu em comunidades portuguesas. Fez
um curso superior de jornalismo na Universidade Carleton, de Otava. Foi
imediatamente recrutado pelo matutino The Toronto Star, esse que faz mais de
meio milhão de exemplares de tiragem diariamente. Especializou-se em
investigação, tem feito trabalhos notáveis ao longo de 27 anos, é o jornalista
mais premiado do Canadá. Também ele não deve nada à comunidade portuguesa. Ou
melhor: deve-lhes ataques grosseiros de encobridores de criminosos portugueses
que, como jornalista, teve de denunciar no Star. No entanto, é um
luso-canadiano com a alma cheia de Portugal e que está sempre disposto a ajudar
os compatriotas. Em Janeiro passado, porque foi convidado a participar das
Jornadas Açorianas, que tiveram lugar em Lisboa, pagou do seu bolso as viagens
e estadia de uma semana no arquipélago, tendo depois publicado uma reportagem
óptima, com fotografias belíssimas daquelas ilhas. Quando, em Junho do ano
passado, recebeu o Prémio Prestígio e Dedicação às Comunidades, outorgado por
uma holding de jornais regionais do norte do país, mostrou a maior alegria, e
até orgulho, tendo providenciado que, naquele domingo, em Toronto, e pela
primeira vez, Oliveira de Azeméis fosse notícia, com fotografia, no Star.